Se me ponho a cismar em outras eras
Em que ri e cantei, em que era querida,
Parece-me que foi noutras esferas,
Parece-me que foi numa outra vida...
E a minha triste boca dolorida,
Que dantes tinha o rir das primaveras,
Esbate as linhas graves e severas
E cai num abandono de esquecida!
E fico, pensativa, olhando o vago...
Toma a brandura plácida dum lago
O meu rosto de monja de marfim...
E as lágrimas que choro, branca e calma,
Ninguém as vê brotar dentro da alma!
Ninguém as vê cair dentro de mim!
Florbela Espanca

1 comentários:
Se te pões a pensar noutros momentos
Em que foste feliz, em que eras amada,
Morrerás a pensar nesses tempos,
Morrerás com isso e mais nada...
E o teu doce sorriso, agora esbotado,
Outrora vigoroso e eterno,
Vive sem alento, num inferno
Fica esquecido. Deixaste-o de lado!
Ai te sentas, fitando o passado...
Como se um lago passasses a nado
Um lago de lágrimas, sem fundo...
E essas lágrimas, que de ti jorram,
Todos temem, todos vêm, todos olham!
E, por elas, ninguém tenta o teu mundo!
Agora sento-me e penso: "Como raio fui eu deixar um comentário tão lamechas a este poema de Espanca?".
Não sei. Ou então sei: Entrei no teu blog com uma vontade inexplicável de deixar um comentário. Como não arranjei nenhum motivo especial para comentar com a minha postura normal (a de um idiota), dei por mim a usar a outra face (a mais escondida?) e a ser um "poet-wannabe"...
Beijinhos! **
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